segunda-feira, 19 de setembro de 2016

" HOMEM DE BEM OU HOMEM BOM ? " - QUIETUDE, ALEX ZARTHÚ


" HÁ QUE SE PENSAR NA NATUREZA DE CADA UM, quando se fala em bondade, em ser bom, honesto, ético ou mesmo cristão. Coisa diversa é ser um homem de bem, isto é, alguém que busca ser tão ético quanto possível, tão honesto quando puder e tão bom quando conseguir. A diferença entre ambos é enorme e convém tê-la em vista claramente, a fim de não se confundir homem de bem com homem bom.
Na maioria das vezes, alguém classifica determinada pessoa como boa porque foi favorecido em algum nível, a atuação desta lhe gerou qualquer espécie de ganho ou lucro, não importa a natureza. De outro lado, quando a pessoa toma iniciativas desagradáveis - que até podem se mostrar de grande valia no longo prazo, mas exigem sacrifício momentâneo, quem sabe abrindo-se mão de certas vantagens - , logo passa a categoria de pessoa má, de má índole, e rapidamente cai em descrédito, segundo quem se sentiu prejudicado. Então, ser bom ou ser ruim não é algo associado no conceito popular em geral, a valores morais ou éticos, a aquisições do espírito ou a seu comprometimento com o bem. Ao contrário, está muito mais ligado ao benefícios promovidos para o outro - a interesses, enfim - do que ao bem em si. Muitos privilégios ou vantagens nem sempre são do bem e não traduzem enriquecimento social e cultural; apenas favorecem gente ociosa, defensores da preguiça e aproveitadores em busca de facilidades pelas quais não trabalharam.
De modo geral, o homem de bem não é devidamente compreendido em seu tempo, pois é dotado de visão mais ampla, que abrange além da necessidade pontual e imediata de alguém. Não se deixa levar por interesses pessoais, mas age guiado por um ideal, o que, aliás, poucos tem. Não se pauta pela opinião alheia, mas pelo cumprimento de seu ideal e pela dedicação a ele; a opinião geral não o move nem comove, porque como cidadão do mundo e do universo, tem um compromisso com a humanidade e a vida. Jamais se vende a pessoas ou instituições, tampouco se deixa corromper. Um homem considerado bom pode ser também religioso, mas um homem de bem é uma espécie de patrimônio da humanidade e não faz partidarismos, seja político ou religioso, embora possa professar determinada religião.
Ao analisar essas figuras, é comum observar que nem sempre o homem de bem é tão bom quanto se imagina; de outro lado, o homem bom nem sempre é tão do bem quanto se espera. Pode-se ser bom e bobo. Ou seja, uma pessoa pode deixar-se levar, mesmo sem querer ou premeditar, por não ter a robustez necessária para resistir ao mal - fato que, por si só, atesta que a pessoa não é tão boa quanto se apregoa. Quando o indivíduo é comprometido com o bem, é como se sentisse o cheiro do mal, ao que responde com a devida coragem para firmar posição. Em regra ligado ao processo intuitivo, sabe detectar quando alguém pretende usá-lo para atingir algum objetivo escuso. Isso nos mostra que muita gente considerada boa pode ser apenas boba ou, quem sabe, acomodada, desde que se sinta num ambiente favorável e numa situação mais ou menos confortável.
Já um homem de bem pode até ser bom, mas nunca bom no conceito reinante, na visão das pessoas materialistas ou, mais propriamente, imediatistas. Um homem que se diz bom pode ser, por exemplo, um indivíduo político, que faz propaganda própria, que promove concessões, e gestos de aparente bondade, buscando sagrar-se bom perante a opinião geral.
Assim sendo, pensa detidamente em como te colocas no mundo e que imagem deixas transparecer, tanto quanto que intenções te movem. Nem sempre o que apregoas é o retrato fiel da realidade. Nem todo mundo é tão bom quanto diz ser, nem tão certo quanto divulga. Muito menos, tão honesto quanto pretende. lembra que todos os viventes no planeta Terra são apenas humanos, e não anjos. Nem mesmo aqueles homens que te parecem referência espiritual são o retrato da meiguice ou o reflexo da santidade de que porventura o julgas detentor. Frequentemente são necessárias máscaras para arrebatar a multidão e palavras mansas e pacíficas para seduzir ou encantar uma platéia.
A massa costuma ser muito volúvel e influenciável pelo comportamento humano, principalmente pelo poder da mídia e da comunicação.Veja como exemplo o próprio Jesus. Com dois mil anos de marketing em torno de sua figura, não é tarefa fácil a qualquer pessoa de bem despi-lo da feição de santinho, bonzinho ou da meiguice que a religião deu a ele. Mostrá-lo como realmente é - o Jesus histórico, e não o Cristo formatado e criado pela religião, mantido por religiosos - faz com que o indivíduo seja classificado de desrespeitoso, herege, anticristão, endemoniado ou obsidiado, mal assistido, representante do mal. Muita gente se deixa levar por aquilo que a mídia divulga, inclusive a mídia pessoal, num excelente trabalho de marketing realizado pelo próprio indivíduo.
Um homem de bem nunca faz marketing pessoal. Simplesmente vive de acordo com seu ideal, mesmo que este possa dizer bastante a respeito de si próprio ou esteja ligado sobremaneira à projeção de sua personalidade. Suas obras aparecem com naturalidade, sem que faça esforço para mostrar-se, aproveitar as circunstâncias ou fazer proselitismo.
Em que posição estás? Na de homem bom ou na de homem de bem? Lembremos Jesus, que, uma vez chamado de " Bom Mestre " por um admirador, respondeu: " Não me chame de bom, pois bom só existe um, o Pai. "  "


HOMEM DE BEM OU HOMEM BOM - DO LIVRO QUIETUDE, Alex Zarthú, por Robson Pinheiro

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