terça-feira, 21 de junho de 2016

E NO DIA DAS MÃES...


















NO DIA EM QUE MEU IRMÃO FOI INTERNADO,  e que fui encontrar minha mãe no hospital, ela estava sentada na recepção, com a cabeça loooonge... Nos abraçamos, e ela me deixou a par de todos os últimos detalhes do estado de saúde dele...
A gente sentou, debaixo de uma árvore que fica bem na entrada, e eu perguntei pra ela o que o coração de mãe dela dizia, com toda sinceridade: " Eu vejo ele indo embora... ", e começou a chorar! É gente, INFELIZMENTE, parece que coração de mãe não se engana... Me deu uma pena tão grande, e uma cena que eu estava dizendo pra ela esses dias, que jamais vou me esquecer, foi quando entramos na emergência, e ele ainda estava sem destino certo, mas estava já acamado e tratando a Pneumonia, ela entrou na minha frente, e ele delirava em febre, dizendo que Jesus estava ali... Quando ele abriu os olhos e olhou pra ela, eu vi o Eduardo com 3 aninhos, os bracinhos pra cima, querendo o colo dela, e seguro com a sua presença...
É difícil numa situação dessa QUERER estar segura, passar segurança ao paciente e otimismo à própria mãe... " Mãe, tenha calma e paciência com a situação, ele não tem uma gripezinha, ou seja, é grave mesmo e precisa de cuidados, é uma situação diferente pra todos nós e tudo vai dar medo mesmo... ", e na segunda feira eu chorando horrores no Shopping Cidade São Paulo... Bom, eu não podia me derrubar daquele jeito na presença dela... Se o Eduardo era tão importante pra mim, imagine pra ela... Ela estava estafada da situação, organicamente sem forças, tanto que nos últimos dias nem conseguia visitá-lo no hospital, o estômago péssimo, a coluna não colaborava...
Imagine gente, gerar um ser humano no seu ventre, e em vida, vê-lo indo embora...
O grande detalhe, é que qualquer mãe que ler isso vai pensar: " Eu não aguentaria ", e eu te digo que aguenta sim... É surpreendente, as coisas que podemos ser e fazer em nome do Amor!
Tudo o que aconteceu entre ela é o Edu nos últimos meses foi um impulso pra ela viver melhor, pra honrar a memória do amado filho, para que ele onde estiver esteja feliz com o momento presente dela... Nós sabemos que a vida continua, e como ele pode continuar sua nova jornada do lado de lá se nós não estivermos bem do lado de cá? Amor é Liberdade, é deixar o outro ir, e cada qual vai seguir seu novo rumo, jogando-se nas mãos de um Bem Maior!
As minhas expectativas para esse último dia das Mães foram tristes, não nego, mas meus planos eram bons... Não era só o primeiro sem ele para ela, mas para nós irmãs também... Assim como será o Natal, a data preferida dele e das irmãs...
Talvez, agora que ele está do lado de lá, ele consiga enxergar claramente o quanto devemos nos dar valor, e quanto falava disso pra ele...
Talvez agora ele enxergue, que uma vida frívola só tem força enquanto se tem dinheiro, e enquanto não cair na cama de um hospital... Todo mundo é legal com todo mundo, tipo: " Du, te amo! " - Ama o caralho! Vá pra puta que te pariu com seu " viver de aparência "... Meu irmão não tinha amigos reais porque ele não era real... Um constante " mostrar que está tudo bem ", bem típico das pessoas do signo de Gêmeos, bando de doentes pela aparência... Ele viu, no leito de morte, todos os grandes amigos dele... As irmãs e mãe, sofrendo a cada nova aparência física...
Eu torço para que na próxima encarnação nasça sob o signo de Câncer, que seja mais de verdadinha, que sua última encarnação tenha sido o limite do descaso com ele mesmo!
O engraçado, agora falando de mim, é que nessa foto abaixo, antes do Edu chegar na minha mãe, eu estava chorando e desabafando meu ódio da vida, da sociedade, como minha mãe nunca viu antes... Indignada porque era e sou uma boa profissional, mas as empresas não dão valor, e que a gente é só um número, enfim... E nas fotos desse ano, apesar de não ter mais o Edu, estou bem melhor!
Ele é uma cicatriz eternamente aberta, até que eu volte a abraçá-lo um dia, e pegá-lo pelo pescoço por não ter me ouvido... Ele é uma ferida, e isso não quer dizer que minha vida também é! Tá tudo muito bom, claro, com alguma vírgula, mas comparado à tudo que passamos em dezembro, o resto torna-se apenas resto... Muita coisa que parecia importante perde as forças, comparada a uma grande dor, ou a uma grande felicidade!
OBS: Um acontecimento digno de nota - Enquanto estávamos no quarto fazendo esses selfies idiotas das fotos acima, eu tive a sensação de que ele nos olhava, com alegria... Foi a primeira e única vez que senti isso! Não sei se ele estava ali em espírito, se via de um telão, estando em outro lugar, mas tive plena convicção, de que nos observava, e isso não me incomodou! Nós sabemos que não podemos perturbá-lo, e vice-versa, pois seria obsessão espiritual... E, claro, por ser ainda recente, nos pegamos chorando aqui e ali... Mas, jamais chamamos por ele, ou brigamos com a vida: Nós sabemos a causa, nós o acompanhamos desde o ventre materno, e existia um porquê de ter um fim como esse por aqui... Não há com quem brigar, que não seja ele mesmo...
Não sei se estamos de luto, mas é como eu disse, tudo vai muito bem, e o caso Eduardo não vai cicatrizar como se fosse uma nota de R$ 50,00 que perdi...
Há outras coisas em nossas vidas que reclamam atenção... Não podemos viver em função de uma perda, ou de um ganho! A vida exige movimento! A vida exige continuação...
Se eu pude colaborar na encarnação e trajeto dele para alguma coisa positiva, já me sinto útil! Tudo fiz para que ele fosse próspero, amado, saudável, e vivesse com dignidade... Mas, tudo dentro do meu alcance, não podia obrigá-lo a me obedecer, ele é livre, assim como eu... E esteja onde estiver, eu sei que é grato por isso, porque eu fazia com o coração, e vou continuar ajudando, e não importa a distância!
E nosso Dia das Mães foi muito bom... Rimos e cantamos muito, falando muitas besteiras, e lembrando desse besta, claro... Comi tanto que saí com enjôo da casa da minha mãe, kkkkkkkkkk!
E que venha o Natal, a data do meu mamãe...

(Foto: 2015 - Último Dia das Mães com ele por aqui...)

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