terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

" TE AMO E FELIZ ANIVER " - EDUARDO S/A


UM MÊS ENORME NA MINHA VIDA... Em trinta dias, eu fui pra Ubatuba com minha amiga Val eu assisti ópera no Teatro Municipal de São Paulo com minha mãe e irmãs, eu conheci uma fazenda em Itú, também com minha família, eu publiquei no Facebook a data e hora da missa de sétimo dia do meu irmão, eu assisti meu irmão sendo enterrado...
Não dá pra acreditar que o mundo vai continuar girando e seguindo seu fluxo sem ele aqui...
A gente continua vivendo porque desfoca do assunto, porque a vida TEM MESMO que continuar, mas quando eu paro pra pensar...
A triste realidade é que não mandamos em nada aqui, nem na nossa própria vida... Como se um mestre cheio de graça gostasse de brincar com seus fantoches, e ele decide quando começa, e ele determina quando acaba, e não há NADA  que possamos fazer para alterar seus planos...
É uma sensação de impotência do caralho!
Tem muito ser humano merda neste planeta, inútil, violento, pervertido, vivendo muito bem e muito saudável por aí, e não há mestre que coloque uma placa de PARE ou acenda um farol vermelho para lhe colocar limites...
Tem gente que não presta, aprontando à torta e direita, e neguinho lá em cima, ou no Inferno, não sei, está com os olhos bem fechados...
Justiça? Aqui se faz aqui se paga onde? O que você quer dizer com “ aqui “? Terra???
Ahhh, mas aí tem a tal da Lei da Causa e Efeito que os Espíritas tanto pregam, que se nessa vida ele não aprontou, ele está pagando pelo que fez no passado... Os protestantes dizem que nós filhos pagamos pelos pecados de nossos pais... O povo que rege essas Leis tem uma paciência do Cão! Não há limites para sua misericórdia quando o assunto é seres humanos que não prestam... ELES NUNCA PAGAM PORRA NENHUMA!
A mulher luta com tratamentos para gerar uma criança em seu ventre, enquanto a criança de 11 anos engravida fácil no baile funk, e não faz idéia de quem é o pai, NÃO ME VENHAM FALAR DE FÉ!   Eu era viva quando meu irmão nasceu, e eu o vi sendo enterrado, e por mais que a morte seja inexorável, é difícil de aceitar! Por mais que a vida da pessoa continue do outro lado, é difícil se consolar...  Aliás, sem hipocrisia nenhuma, eu descobri que todo meu entendimento e consciência sobre a espiritualidade foi pro saco depois de tudo isso... O que comanda mesmo é nossa emoção, nosso sentimento, e não há sã consciência que consiga dominar o que o coração sente...
Eu sei que ele precisa de pensamentos e direcionamentos de Luz pra ficar bem do outro lado, eu sei que nossa tristeza pode fazer muita mal pra recuperação dele, eu sei que ele pode ficar preso à Terra por nossa causa, EU SEI, mas saber, não é poder nenhum sobre o que sentimos. Você continua como se nada tivesse acontecido, você sorri e brinca porque, claro, a nossa vida aqui continua, mas não há mensagens do lado de lá, como já aconteceu, que tenha poder de aliviar a dor dessa distância, e dessa saudade que nos mata, mas não se mata por conta própria...
As pessoas dizem para continuar, numa forma, numa tentativa de nos ajudar, de amenizar nossa dor, mas não sei exatamente o que dói...
Dói o modo triste como se foi...
Dói ter acreditado até o fim que ele ia viver, de verdade – Dói ter me enganado!
Dói lembrar dele vivo e bem, e saber que não posso ligar pra ele, que nunca mais vou ouvir seu “ alô “...
Dói lembrar dele doente, de como fisicamente ficou horrível!
Dói lembrar do menino gordo criança, que vivia sozinho porque outras crianças não gostavam de crianças gordas e “ viadinhos “...
Dói lembrar da minha mãe batendo nele, pra ele parar de aprontar...
Dói lembrar que ele sofreu por amor...
Dói lembrar de seus relatos, passando mal por aí, morrendo de fome sem ter dinheiro e nem ter o que comer, como se fosse sozinho no mundo...
Dói saber que chorou, na noite de Natal no hospital, porque não estava conosco!
Dói o fato de ser impossível matar a saudade!
Eu precisei ir até a Riachuelo da Paulista na última sexta feira, pra ver biquínis, e era a mais perto... Pisei na avenida com a cabeça literalmente baixa, pra não ver que era ali que eu estava, um lugar que me lembra tanto ele...
Acho que dói menos viver sem amar alguém, mas a pergunta é: Como não amar ninguém??? Seria possível passar pela jornada humana sem amar ninguém? Sem que alguém desperte em você uma revolta monstruosa por ter te deixado da pior maneira possível? Sem que ninguém te faça sorrir, te abrace quando precisa, ou te faça acordar de alguma hipnose, dessas que só os outros conseguem enxergar...
Quando a pessoa se machuca, seja fazendo qualquer besteira pessoal, a gente se acaba de dar comida de rabo, e de dizer o que deve fazer para acertar, e insiste em dizer que não é mais pra fazer isso, porque dói também na gente que é besta pra caralho, não temos maturidade pra separar o que é dele, e o que é nosso... E de repente, a pessoa decide morrer... O que vai dizer? Com quem vai brigar? Queeem você vai mandar tomar no cú? Bater na cara, cuspir? É fácil pra você que lê isso pensar que eu me revoltei com essa história, pois então, te convido a imaginar morta a pessoa que você mais ama no mundo... DAÍ TODO MUNDO ENTENDE, NÉ? No cú dos outros sempre é refresco, normal...
Lembro como se fosse hoje, eu e minha mãe voltamos do enterro, uma olhou pra cara da outra em casa e parecia entender sem dizer nada: “ Ele morreu? “, com os dias corridos é que a ficha cai como uma boooooa tempestade de verão, pelo menos do verão antigo, que destruía tudo, alagava tudo, e acabava com a vida de muita gente...
É muito fácil para os livros espíritas dizer para soltar a pessoa e deixá-la livre para seguir seu novo rumo... Não é bem por aí na prática!
Amar implica ser egoísta e pensar só na sua dor... É que todo mundo quer colocar uma pintura bonitinha e elevada sobre o amor, mas a grande verdade, é que ele não passa de não compreender porra nenhuma, e querer que tudo seja do nosso jeito! Que chamem isso de mimo, de pirraça com a vida, de infantil, quem se importa com nomes?
Até que você sinta seu coração dilacerado pela dor da perda, talvez você não saiba que ama!
É melhor não querer descobrir...

Yesterday.

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