quarta-feira, 1 de abril de 2015

TEM DIAS ASSIM...


Às vezes bate uma revolta...
De quantas coisas eu ainda não vivi na minha vida, e talvez nunca viva, por falta de recursos financeiros...
Não quero luxo, não quero tudo, mas uma vida digna me basta!
Daí tem as crianças passando fome na África, e tem os drogados da Cracolândia, e suas vidas miseráveis, e comparando à isso, devo agradecer... Será? À quem?
O certo é agradecer ao que tem, e quando não tem agradecer pelo quê?
Vim de pais sem condições financeiras, é certo, mas sem perspectivas decentes, produtivas, próperas! Nem sonhar?
Como posso dizer que um dos grandes problemas da violência e pobreza no meu país é a educação, se vim de pais que tão jovens fizeram quatro filhos, e isso pra mim é de total irresponsabilidade, num lugar onde não se educa ninguém, um ambiente inóspito... Enfim.
E mais do que isso, se não tinham condições financeiras para criar a si próprios, também não tinham emocional! Tanto meu pai como minha mãe passaram infância e adolescência sofrendo na mão dos outros, e não dá pra dizer quem dos dois ficou mais machucado... Tão machucados que não sabiam usar amor, carinho, atenção!
Crescer sem dinheiro não é problema, problema é ser um adulto sem dinheiro! Acha que criança se importa com isso é aquilo? Na minha época pelo menos não...
Crescer sem apoio não é problema, problema é ser um adulto, e em todos os momentos de pesadelo, ao acordar pingando de suor, não ter abraço nem palavras de conforto, de que vai ficar tudo bem...
Sei lá, eu poderia viver ainda muitas coisas... E é tanta vontade pra nada de condições...
O mundo está tão repleto do que é feio, que o que é bonito fica escondido... Bondade, humanidade, Amor, atitude!
Pode ser que eu esteja fazendo escolhas erradas, e como diz o povo: " comendo bola "... Mas, toda vez que escolho, eu estou tentando... Estou me dando uma nova chance!
Talvez eu passe minha vida toda só tentando, e lá do outro lado é que eu entenda que a vida é mesmo uma bosta... Rs, se eu tento é porque ainda tenho fé de que não precisa feder tanto assim...
E às vezes tudo se resolve com abraço!



Now.

(... Minha mãe ficava tão feliz e empolgada quando alguém doava roupas pra gente... Santa infância que me fez tão feliz, com roupa dos outros, com bife e banana no almoço, café com leite e bolachas de maizena... Santa infância sem brinquedos e bicicletas... Mas agora eu cresci, lamentavelmente!)

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